POST Nº 3
Aos que acham que os acidentes de trânsito acontecem exclusivamente por falha do condutor do veículo, peço que leiam com atenção redobrada. É de fundamental importância entender o assunto que irei abordar, pois pretendo desfazer um mito fortemente arraigado entre nós.
Ao investigarmos as causas dos acidentes de trânsito encontramos falhas que podem ser agrupadas em:
1º - Falhas humanas;
Quais são: Distração, sonolência, embriaguez, velocidade inadequada (acima ou abaixo), etc.
Convém destacar que quando me refiro a Falhas humanas devo entender que sejam SOMENTE AS FALHAS COMETIDAS PELOS CONDUTORES DOS VEÍCULOS, ou eventualmente de algum passageiro. Exemplificando melhor: Um buraco que encontro na via tem como causa uma falha humana, pois alguém deixou de tampá-lo, mas aqui considerarei como sendo Falha na via.
2º - Falhas na via e interferências do meio ambiente;
Vias são as ruas, avenidas, rodovias, estradas, elementos que compõe o Sistema Viário.
Exemplos: Buracos na pista, sinalização incorreta ou inexistente, pista muito lisa e milhares de outras situações de risco que iremos divulgar e alertar no decorrer de nossos “posts”.
Interferências do Meio Ambiente: Chuva, neblina, fumaça, ventania, ofuscamento provocado pelo nascer ou por do sol, etc.
3º - Falhas no(s) veículo(s).
Peças com defeitos de fabricação, peças mal projetadas, etc. Um pneu novo que estourou é uma peça com defeito de fabricação. Já um pneu “careca”, devo considerar como falha humana (do condutor ou do proprietário do veículo), pois não foi substituído no momento indicado pelo fabricante.
Qual será então o maior dos mitos? Afirmar que os acidentes de trânsito acontecem ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DEVIDO A FALHAS HUMANAS. Repito que devemos entender falhas humanas como os erros cometidos pelo condutor ou eventualmente pelos passageiros dos veículos.
Vejam o seguinte histórico extraído do Boletim de um Acidente de Trânsito com vítima fatal:
O Condutor do veículo único, após atropelar um animal que se encontrava sobre a via, perdeu o controle de direção, cruzou a faixa contrária chocando-se contra uma (1) arvore, além do acostamento. A vítima veio a óbito no local.
Se eu me detiver apenas ao histórico do acidente, chegarei à conclusão de que houve apenas uma (1) Falha e esta foi HUMANA, ou seja, a perda do controle de direção. Entretanto a analise do acidente deve ser feita com base em mais informações, isso é, tenho que verificar também a condição do tempo, do(s) veículo(s), da pista e finalmente as condições dos locais por onde o veículo desgovernado passou, até o ponto de sua completa imobilização.
Após essa analise criteriosa, feita no local da ocorrência, no mesmo dia da semana e horário e observada ainda a mesma condição do tempo - ocorrência de chuva, neblina, etc., posso reescrever o histórico acima da seguinte forma:
O Condutor do veículo único, após atropelar um animal que se encontrava sobre a rodovia, perdeu o controle de direção, em região de curva com densa vegetação nas laterais, cruzou a faixa contrária chocando-se contra uma (1) arvore a dois (2) metros do bordo da pista. A vítima veio a óbito no local.
Grifei em letras vermelhas itálicas as informações complementares.
A classificação e a descrição da diversas falhas que colaboraram para que o acidente ocorresse fica assim:
1ª Falha: um animal que se encontrava sobre a rodovia. A presença do animal indica que a cerca de arame ou qualquer outro material, obrigatória na divisa entre a propriedade e a faixa da via (geralmente de 30m a 50m de largura total), pode estar rompida ou que não exista. A responsabilidade pela sua manutenção cabe ao administrador da via e também ao proprietário da área lateral;
2ª Falha: em região de curva com densa vegetação nas laterais: Como voçes verão no próximo “post” o condutor de veículos vai sentindo uma diminuição da visibilidade tanto maior quanto mais próximo estiver de curvas, fato que se agrava, quanto mais fechada for a curva. A presença de vegetação densa, ou seja, mato, arbustos e arvores diminui ainda mais a visibilidade já deficiente, podendo ocultar até animal de grande porte, que só estará visível quando estiver sobre a pista.
1ª Falha: um animal que se encontrava sobre a rodovia. A presença do animal indica que a cerca de arame ou qualquer outro material, obrigatória na divisa entre a propriedade e a faixa da via (geralmente de 30m a 50m de largura total), pode estar rompida ou que não exista. A responsabilidade pela sua manutenção cabe ao administrador da via e também ao proprietário da área lateral;
2ª Falha: em região de curva com densa vegetação nas laterais: Como voçes verão no próximo “post” o condutor de veículos vai sentindo uma diminuição da visibilidade tanto maior quanto mais próximo estiver de curvas, fato que se agrava, quanto mais fechada for a curva. A presença de vegetação densa, ou seja, mato, arbustos e arvores diminui ainda mais a visibilidade já deficiente, podendo ocultar até animal de grande porte, que só estará visível quando estiver sobre a pista.
Cabe à administradora da via manter a vegetação sempre baixa, efetuando roçadas freqüentes numa largura maior nessas regiões próximas às curvas, permitindo ao condutor entre outras coisas detectar a presença de animais antes que eles entrem na pista. Cabe ao condutor do veículo, sempre que encontrar problemas de falta de visibilidade adotar uma atitude defensiva redobrando a atenção e reduzindo a velocidade pois sempre há a possibilidade de que algo inesperado "apareça" à sua frente.
3ª Falha: uma (1) árvore a 2metros do bordo da pista. Postes de concreto ou madeira, árvores de médio e grande porte e quaisquer outros obstáculos que ofereçam perigo devem estar afastados do bordo da pista. Caso não seja possível removê-los, devem ser protegidos contra choques de veículos desgovernados, por meio de defensa metálica ou barreira de concreto.
Alguém pode ainda argumentar que a perda do controle de direção seja Falha do condutor e, portanto Falha Humana. Essa conclusão não tem fundamento no presente caso. Vejam por que: Após o choque com o animal, o condutor do veículo inicia uma trajetória imprevisível dada à rapidez com que as coisas acontecem, entrando numa situação de risco em que não tem nenhum controle e estando, portanto, daí em diante, a mercê da sorte.
Resumindo:A investigação deve ser feita com detalhes para que a(s) causa(s) seja(m) conhecida(s) e corrigida. Normalmente temos em média 4 (quatro) ou mais falhas. Nesse caso as falhas foram três (3), todas classificadas como FALHAS DA VIA e nenhuma FALHA HUMANA, ou seja, do condutor do veículo. A falha principal, a que provocou a morte de uma pessoa, foi a presença da árvore muito próxima da pista.