quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Maior dos Mitos nos Acidentes de Trânsito

 POST Nº 3
Aos que acham que os acidentes de trânsito acontecem exclusivamente por falha do condutor do veículo, peço que leiam com atenção redobrada. É de fundamental importância entender o assunto que irei abordar, pois pretendo desfazer um mito fortemente arraigado entre nós.
Ao investigarmos as causas dos acidentes de trânsito encontramos falhas que podem ser agrupadas em:
1º - Falhas humanas;
Quais são: Distração, sonolência, embriaguez, velocidade inadequada (acima ou abaixo), etc.
Convém destacar que quando me refiro a Falhas humanas devo entender que sejam SOMENTE AS FALHAS COMETIDAS PELOS CONDUTORES DOS VEÍCULOS, ou eventualmente de algum passageiro. Exemplificando melhor: Um buraco que encontro na via tem como causa uma falha humana, pois alguém deixou de tampá-lo, mas aqui considerarei como sendo Falha na via.
2º - Falhas na via e interferências do meio ambiente;
Vias são as ruas, avenidas, rodovias, estradas, elementos que compõe o Sistema Viário.
Exemplos: Buracos na pista, sinalização incorreta ou inexistente, pista muito lisa e milhares de outras situações de risco que iremos divulgar e alertar no decorrer de nossos “posts”.
Interferências do Meio Ambiente: Chuva, neblina, fumaça, ventania, ofuscamento provocado pelo nascer ou por do sol, etc.
3º - Falhas no(s) veículo(s).
Peças com defeitos de fabricação, peças mal projetadas, etc. Um pneu novo que estourou é uma peça com defeito de fabricação. Já um pneu “careca”, devo considerar como falha humana (do condutor ou do proprietário do veículo), pois não foi substituído no momento indicado pelo fabricante.
Qual será então o maior dos mitos? Afirmar que os acidentes de trânsito acontecem ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DEVIDO A FALHAS HUMANAS. Repito que devemos entender falhas humanas como os erros cometidos pelo condutor ou eventualmente pelos passageiros dos veículos.
Vejam o seguinte histórico extraído do Boletim de um Acidente de Trânsito com vítima fatal:
O Condutor do veículo único, após atropelar um animal que se encontrava sobre a via, perdeu o controle de direção, cruzou a faixa contrária chocando-se contra uma (1) arvore, além do acostamento. A vítima veio a óbito no local.
Se eu me detiver apenas ao histórico do acidente, chegarei à conclusão de que houve apenas uma (1) Falha e esta foi HUMANA, ou seja, a perda do controle de direção. Entretanto a analise do acidente deve ser feita com base em mais informações, isso é, tenho que verificar também a condição do tempo, do(s) veículo(s), da pista e finalmente as condições dos locais por onde o veículo desgovernado passou, até o ponto de sua completa imobilização.
Após essa analise criteriosa, feita no local da ocorrência, no mesmo dia da semana e horário e observada ainda a mesma condição do tempo - ocorrência de chuva, neblina, etc., posso reescrever o histórico acima da seguinte forma:
O Condutor do veículo único, após atropelar um animal que se encontrava sobre a rodovia, perdeu o controle de direção, em região de curva com densa vegetação nas laterais, cruzou a faixa contrária chocando-se contra uma (1) arvore a dois (2) metros do bordo da pista. A vítima veio a óbito no local.
Grifei em letras vermelhas itálicas as informações complementares.
A classificação e a descrição da diversas falhas que colaboraram para que o acidente ocorresse fica assim:
       
1ª Falha: um animal que se encontrava sobre a rodovia. A presença do animal  indica que a cerca de arame ou qualquer outro material, obrigatória na divisa entre a propriedade e a faixa da via (geralmente de 30m a 50m de largura total), pode estar rompida ou que não exista. A responsabilidade pela sua manutenção cabe ao administrador da via e também ao proprietário da área lateral;

2ª Falha: em região de curva com densa vegetação nas laterais: Como voçes verão no próximo “post” o condutor de veículos vai sentindo uma diminuição da visibilidade tanto maior quanto mais próximo estiver de curvas, fato que se agrava, quanto mais fechada for a curva. A presença de vegetação densa, ou seja, mato, arbustos e arvores diminui ainda mais a visibilidade já deficiente, podendo ocultar até animal de grande porte, que só estará visível quando estiver sobre a pista.
Cabe à administradora da via manter a vegetação sempre baixa, efetuando roçadas freqüentes numa largura maior nessas regiões próximas às curvas, permitindo ao condutor entre outras coisas detectar a presença de animais antes que eles entrem na pista. Cabe ao condutor do veículo, sempre que encontrar problemas de falta de visibilidade adotar uma atitude defensiva redobrando a atenção e reduzindo a velocidade pois sempre há a possibilidade de que algo inesperado "apareça" à sua frente.
3ª Falha: uma (1) árvore a 2metros do bordo da pista. Postes de concreto ou madeira, árvores de médio e grande porte e quaisquer outros obstáculos que ofereçam perigo devem estar afastados do bordo da pista. Caso não seja possível removê-los, devem ser protegidos contra choques de veículos desgovernados, por meio de defensa metálica ou barreira de concreto.
Alguém pode ainda argumentar que a perda do controle de direção seja Falha do condutor e, portanto Falha Humana. Essa conclusão não tem fundamento no presente caso. Vejam por que: Após o choque com o animal, o condutor do veículo inicia uma trajetória imprevisível dada à rapidez com que as coisas acontecem, entrando numa situação de risco em que não tem nenhum controle e estando, portanto, daí em diante, a mercê da sorte.
Resumindo:
A investigação deve ser feita com detalhes para que a(s) causa(s) seja(m) conhecida(s) e corrigida. Normalmente temos em média 4 (quatro) ou mais falhas.  Nesse caso as falhas foram três (3), todas classificadas como FALHAS DA VIA e nenhuma FALHA HUMANA, ou seja, do condutor do veículo. A falha principal, a que provocou a morte de uma pessoa, foi a presença da árvore muito próxima da pista.  

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Noções de Risco

      POST Nº 2
 Estamos sempre correndo riscos em todas as atividades de nossas vidas. Dirigir com risco maior ou menor vai depender do (a):
   1-      Meu comportamento (atitudes);
   2-      Comportamento das outras pessoas;
   3-      Qualidade das estradas e ruas e das condições do meio ambiente;
   4-      Condição(ões) do(s) veículo(s).
Conforme a capacidade que tenho de ter o controle da situação os riscos podem ser:
                                                   
1-   Riscos em que não tenho nenhum controle                                                    



2-   Riscos em que tenho controle total                               
            

                                                                   
 3-  Riscos em que tenho controle parcial


Exemplificando:
1-      Riscos em que não tenho nenhum controle: Querer ou esperar que os condutores dos veículos ajam ou reajam como eu, numa determinada situação. 
2-       Riscos em que tenho o controle total: Manter o celular desligado enquanto dirijo.
3-       Riscos em que tenho controle parcial: Manter uma distancia segura do veículo da frente.
Explicando melhor o que vem a ser o controle parcial:
Quando estou numa fila de veículos, atrás de um caminhão que está “segurando” o trânsito, se abro uma brecha à minha frente o suficiente para caber outro veículo, alguém da fila que se encontra atrás de mim poderá ocupá-la, reduzindo assim a distancia que considero segura. Num primeiro momento eu tenho o controle sobre a distancia até o veículo da frente até que alguém o retira de mim. Ora tenho controle sobre a situação ora eu o perco e isso pode se repetir por diversas vezes.
Posso dizer que, com exceção dos riscos em que não tenho nenhum controle, os demais riscos podem ser administrados ou gerenciados, isso é, está em minhas mãos a decisão de correr risco (arriscar) em maior ou menor grau.
Comportamento das pessoas com relação a correr riscos.
O comportamento do ser humano a correr mais ou menos riscos varia enormemente e recebe as mais variadas influencias. Não é por acaso que os condutores de veículos, na faixa etária entre 18 e 28 anos, pagam mais seguro! Acompanhados por amigos, esses condutores, aos finais de semana, entre  as 17 e 22 horas, são os que mais se envolvem em acidentes com vítimas graves e fatais. Tudo isso porque eles se arriscam mais.
Vejam essas situações: 
Estou dirigindo numa auto-estrada, na velocidade permitida e de repente passam vários veículos bem acima dessa velocidade. Sem perceber, eu acelero e me encontro acompanhando os corredores. Você já passou por isso antes? O que aconteceu?
Mudei o meu comportamento porque recebi influencia de outros. E pior ainda, às vezes faço isso inconscientemente, sem perceber.
Uma outra situação:
Mudei de cidade e tenho agora novos amigos e colegas que dirigem com mais pressa a que eu estava acostumado. Aos poucos, fui percebendo que eu estava atravancando o trânsito e que era necessário acompanhar o ritmo dos condutores para não me sentir diferente.
O que aconteceu? Alterei o meu comportamento, influenciado pelo ambiente novo.
Ao gerenciar os riscos podemos passar de atitudes coletivas (onde penso no bem estar dos outros), para atitudes individualistas (onde o que importa é o meu bem estar em detrimento dos outros) num “piscar de olhos” e vice e versa.
Arriscar, recebe influencias do país e da região em que vivemos, enfim, depende da cultura do povo e esta também varia com o decorrer dos anos.
Para enfrentar os problemas do dia a dia, escolho entre as várias soluções possíveis, aquela que acho que me dará melhor resultado fazendo uma espécie de balanço entre o risco que vou “correr” e o resultado que espero ter. Explicando de outra forma: No momento em que faço a escolha de como resolver determinado problema, em que não tenho a certeza do resultado, portanto que envolve riscos, a minha escolha é fundamentada no balanço que faço entre os riscos que decido correr e os benefícios que irei obter. Quando decido “correr maiores riscos" espero receber maiores benefícios (para compensar os altos riscos). Ao contrário, quando decido "arriscar menos", espero recompensas  também menores.   
Vamos exemplificar ainda mais para deixar bem claro essa noção do BALANÇO DO RISCO.
Compro um carro novo com freios ABS e air-bag duplo, itens que não tinha no antigo.
Como me comportarei no carro novo, por exemplo, com relação à velocidade?
1-      Continuo dirigindo da mesma forma que dirigia antes; 
2-      Dirijo agora com mais velocidade.
Se eu escolho a opção um (1) passo a arriscar menos, pois tenho um carro com mais segurança e o que eu obtenho com isso? Recompensas traduzidas em maior segurança.
Se eu escolho a opção dois (2) entro no sistema do balanço de risco, mencionado linhas acima. Ao mesmo tempo em que reduzo os riscos por estar dirigindo um veículo mais seguro, assumo maiores riscos devido ao aumento da velocidade e aí ao final, faço um balanço para ver se compensou. Às vezes, saio ganhando, ficando com saldo positivo, às vezes saio perdendo, ficando com saldo negativo.
Vocês verão no próximo “post” a participação do ser humano, da via e meio ambiente e do veículo nos acidentes de trânsito. A indústria automobilística introduz, novos itens de segurança a cada modelo lançado no mercado. As concessionárias de rodovias, os governos federais, estaduais e municipais, executam serviços nos sistemas viários tornando-os mais seguros. Já as alterações no comportamento do ser humano dependem de educação continuada, trabalhos de conscientização e fiscalização eficiente embasada em legislação bem elaborada. 
As informações e alertas sobre os riscos no trânsito rodoviário, só darão bons resultados, expressos numa segurança maior ao conduzir veículos, se eu conseguir fazer com que você esteja disposto a assumir menos riscos.